domingo, 4 de janeiro de 2015

Cap 5 Ascendentes de Joana



 Capítulo 5 –  Ascendentes de Joanna Raming Vianna   
Seção 5.1  ( Acontinuação deste capítulo é no link  abaixo)
(http://domingosejoanita01.blogspot.com.br/2015/01/cap-0-introducao-cont-1.html )

Seus  pais: Capitão da Guarda Nacional José Pedro Vianna e Anna Henriqueta Ramming Vianna 
O inventário do Comendador José de Souza Breves aponta (segundo José Lemos chefe do arquivo de Piraí) que Anna Ramming, casada com o José Pedro Vianna, era afilhada do Comendador, como ele diz em testamento que deixou para ela 15 apólices da Dívida Pública do Império no valor de Hum conto de réis cada uma. Ana era chamada de "ninita", dizia ser moradora na fazenda do Pinheiro com o seu marido o capitão José Pedro Vianna.



É tempo de murici
É Deus por todos
E Cada um por si.

Como o murici florece e viceja quando a seca é braba,  ele sinaliza que cada um deve contar com as próprias forças.  José usa a expressão acima em seu caderno de notas ao relatar os horrores da Guerra do Paraguai. Particularmente aplica este cada um por si em retiradas que descambaram em verdadeiras debandadas desordenadas de alguns contingentes em Laguna e Curupaiti. 
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José Pedro Vianna  viveu sempre no imaginário familiar como o herói da Guerra do Paraguay.  Seus documentos, diplomas  e medalhas foram preservados por Dalila Meirelles Tavares que os delegou antes de falecer a seu filho Brenildo Meirelles Tavares, que por sua vez os confiou a mim.  Sua imagem foi particularmente cultivada por sua filha Joanna que  o conheceu muito pouco, pois quando ele faleceu aos 50 anos de idade em 1894, ela nascida em 1884 tinha apenas 10 anos de idade. Houve grande dificuldade de conseguir elementos documentais sobre ele, já que os registros paroquiais de N Sra da Victoria em São Cristóvão – Sergipe anteriores a 1850  foram parcialmente destruídos. Como alíás, todos os livros eclesiásticos de Sergipe anteriores a 1850 foram quase todos perdidos. Na época, Sergipe era ligado à Diocese de Salvador, e todos os livros findos tinham que ser levados para lá. Quando se criou a nova diocese de Aracaju, os livros findos foram todos levados para Sergipe. Como a diocese não tinha estrutura para recebê-los, acabaram se perdendo. Não sei se foi por incêndio, ou por umidade (já que a água empastela os livros antigos). Algumas paróquias, como Estância, ainda têm livros antigos (desde 1830) por não terem sido levados para a Bahia. Capela tem um borrador de 1814 a 1817. Mas as melhores fontes para pesquisa genealógica de Sergipe hoje são os periódicos da época ( já digitalizados) e  o Arquivo Judiciário, que tem inventários e testamentos desde  o século XVIII.Muito de sua história mesmo anterior  a isto se perdeu pois foi região de combate e invasões por muitos anos.

O ponto de partida desta pesquisa foram os documentos que já estavam sob guarda da família e que são exibidos a seguir.

 

Esta notícia acima  foi a primeira pista de paternidade entre Manoel José e José Pedro
Algumas Funções Políticas publicadas na imprensa sobre Manoel foram selecionadas e apresntadas abaixo:
1)      Escrivão na Freguezia  NSra da Victoria no Juizado de Paz relatando a eleição do cidadão João Baptista de Salles  como o mais votado dos candidatos. Ed 79 1852, pag 4.


Abaixo Foto de José Pedro Vianna 
com uniforme de oficial capitão da Guarda Nacional 
com as medalhas da Campanha do Paraguai ao peito.
Fonte: arquivos de Iracema Vianna Meirelles Quintella

Documentos com assinatura de José Pedro Vianna ainda no acampamento de ocupação em Humaitá.

26 de março de 1870.
Fonte: arquivos de 
Dalila Meirelles Tavares e Brenildo Meirelles Tavares


Cópia de assinatura de J P Vianna em 1870 restaurada pelo autor deste trabalho com auxílio de Photoshop e Corel Photo paint nos laborartórios de artes visuais da Stratimidia .

 Carta Patente da Guarda Nacional abaixo
 



 

Apostila Patente de nomeação de José Pedro Vianna para o posto de Alferes da V Cia do Batalhão nr 2 da Guarda Nacional de São Cristóvão da Província Imperial de Sergype pelo Presidente Cincinato Pinto da Silva em 20 de março de 1865. Apostila de Nomeação o transfere para 4ª Cia do para o CVP Corpo de Voluntários da Pátria a 11 de abril de 1865, combatendo nos BI´s Batalhões de Infantaria 37º , 47º e 48º.


Embarque das tropas  no Rio de Janeiro para o combate contra o Exército Paraguaio. 




José Pedro teve promoção a tenente após  haver assumido vários comandos em combate. Despacho assinado pelo Duque de Caxias promove José Pedro Viana a Capitão do Exército em  18 de outubro de 1875 com patente lavrada em 21 de outubro de 1870. Diploma de medalha da campanha do Paraguay datado de 29 de janeiro de 1876 assinado pelo Barão da Gavia.
Recebe o título de Cavaleiro  da Ordem da Rosa, por bravura nos combates de 24 de maio e 3, 22 de setembro de 1866. Alferes do 47º CVP em 20/7/1867 Prestando juramento em 4/6/1870. Doc assinado por D Pedro II.



Batalha de Riachuelo antes da qual José Pedro Vianna liderou um pelotão de infantes para fazer o reconhecimento que permitiu eliminar a resistência em terra das forças de Solano Lopez.


De volta da Guerra assume posto no Corpo de Bombeiros onde se destaca e é reconhecido junto a população por sua liderança, espírito de serviço e bravura. Atua também numa Sociedade Beneficente como Thesoureiro.




Notícias de José Pedro Vianna
Diário do Rio de Janeiro
Atividades no Pós-Guerra





Exonerado do Corpo de Bombeiros vai trabalhar em órgãos da Prefeitura do Distrito Federal
E próximo ao fim da vida encontramo-lo atuando como jurado em 1891.

Em seguida é exposto atestado de óbito aos 50 anos de José Pedro Vianna a 23 de julho de 1894




Este foi o documento de partida na pesquisa sobre José Pedro Vianna. A partir dele pode-se estimar a data de Nascimento altamente provável em 1844 em Sao Cristovao Sergipe a partir de duas fontes:  Certidão de Óbito a 23/7/1894 11ª Pretoria reg 943  liv 17 de óbitos fl 72 em que surgem sua idade - 50 anos, natural de Sergype, residência no Eng Velho – R Senador Nabuco 93; sepultado no Cem. SFco Xer.

Proclamas  de casamento de JoséPedro Vianna com  Anna Henriqueta Ramming 



Outras fontes (O Apóstolo, pg Anno XIV, nr 104, Dom 7/9/1879; pg 3, anno XIV nr 96, Qua 20/8/1879.) 

Casam –se aos 11 de setembro de 1879 José Pedro Vianna, 35 e Anna Henriqueta Raming, 32 em Pirai RJ conforme Registro  de São João Batista do Arrozal  L2 fls 60 e 60v. Ele Filho de Manuel José Vianna e Joanna Baptista de Jesus e Ela filha de Joao Henrique Raming e Marianna Linden.  Deste casamento sabe-se ao menos de 4 filhos: Anna Ramming Vianna (1882), Joanna Ramming Vianna (1884), José Henrique Ramming Vianna ( 1885) e Rita Clara Ramming Vianna. Não se encontrou evidências de filiação de Sezínio Raming Vianna.

É sempre importante situar-se as pessoas de interesse numa pesquisa genealógica numa perspectiva histórica, assim relata-se em seguida o background que influenciou a vida de José Pedro Vianna e de seu pai Manuel José Vianna.





A economia de São Cristóvão como em todo o Sergipe se  baseava na agricultura (laranja, cana-de-açúcar, coco, algodão) e na pecuária de gado bovino e equino. Sua história colonial começa em 1575, quando os jesuítas chegaram a Sergipe  e os tupinambás, liderados por Japaratuba, rechaçaram os colonizadores. Somente em 1590 os nativos foram vencidos e pacificados por Cristóvão de Barros, fundador do forte e do arraial de São Cristóvão.




De 1637 a 1645, após a campanha liderada por Segismundo van Schoppke e seu consultor João Grisselingh , Sergipe Del Rei esteve sob o domínio dos holandeses. Neste período sua economia entrou em crise em virtude da prática de terra arrasada adotada pelo execrado Conde napolitano Bagnuolo comandante das tropas hispano-lusas. Juntamente com São Cristóvão que foi arrasada mais de 5000 cabeças de gado foram mortas e todas as árvores frutíferas arrancadas do solo.  Os holandeses se limitaram a usar o território como produtor de mandioca e farinha e de montarias e também fortificá-lo como  um cinturão de proteção contra ataques vindos do Sul e garantir o controle da região do Baixo São Francisco,  e os vales dos rios Real e Vasa-barris. Com a expulsão dos Holandeses pelos portugueses, redesenvolveu-se a cultura canavieira e a criação de gado.

Uma possibilidade existe de os Vianna serem descendentes de Diogo Álvares Correia, o Caramuru, fidalgo de Viana do Castelo (origem de vários dos primeiros colonizadores), náufrago em 1509 na Bahia. Possiveis antepassados dos Vianna no século XVII são os pais do vigário da freguesia de N Sra da Vitoria Sebastião Sebastão Pedroso de Góes nascido em 1609 : Sebastião Pedroso Barbosa de Viana e de Maria de Goes de Macedo, neto paterno de Sebastião Pedroso e de Maria  Barbosa e neto materno de Melchior de Armas de Brum e de Francisca de Araujo. Outro ancestral possível é Gaspar Maciel Vilas Boas, natural da Vila de Viana, (Gaspar Maciel Vilas Boas de Viana) chegou em Sergipe com dois anos de idade, em 1617.  Em 1678 era escrivão da câmara de São Cristóvão. Talvez tivesse recebido o cargo de Miguel Maciel, possivelmente seu parente, que era escrivão da câmara em 20/07/1616 quando foi suspenso do cargo pelo  governador Gaspar de Sousa, por ser  inquieto, revoltoso e por ter-se recusado a entregar o livro da vereação ao  tabelião. Idem com Gaspar Teixeira Leite Viana (data de testemunho - 22/09/1761) idade 23 anos nascido a 23/09/1738, dono de loja de fazenda na Rua da Praça e com Jeronimo Dias Viana (data de testemunho - 18/03/1740) idade 40 anos nascido a 18/03/1700, dono de lavouras em Itabaiana. E eventualmente de Manuel Nunes Viana, português que veio ainda menino para a Bahia, era um desses ricos comerciantes e principal líder dos emboabas. Era proprietário de fazendas de gado no São Francisco e estava associa­do aos comerciantes da Bahia e líder dos emboabas. No século XIX possíveis parentes são Vergilio do Valle Vianna na segunda metade do século.( Ofício de Virgilio do Valle Vianna ao Provedor da Irmandade do Senhor do Bonfim. Laranjeiras, 15 abr. 1883. APES, Ag4-clero, cx. 28, doc. 034.) No século XX desconfia-se de possível parentesco com o historiador Helio Viana e Antônio Carlos Viana - escritor.

Fontes para pesquisa adicionais destes ancestrais são: Sergipe, Livro de Notas do Cartório de São Cristóvão,  caixas referentes a Sergipe do Arquivo Histórico Ultramarino.

Em 1820, Sergype ganha autonomia como capitania Sergipe Del Rei, desmembrada da Bahia. As plantações de algodão passaram a ter importante papel na economia deste período. O que favoreceu a prosperidade dos Vianna. Em 1855, a capital foi transferida de São Cristóvão para o arraial de Aracaju. Esta mudança provocou um êxodo moderado e seleto de fazendeiros, eleitores e jovens de famílias influentes para o Rio de Janeiro e para Aracaju. Este fato selou o destino do filho de Manoel José Vianna que migrou para o Rio de Janeiro, bem como a decadência dos seus negócios. Esta decadência marcou a psique dos sergipanos fazendo com que boa parte dos cidadãos assumisse uma postura polemista como Manoel José e José Pedro o foram, da mesma forma que Manuel Bonfim (1868-1932), Tobias Barreto e Sílvio Romero, que projetaram Sergipe no panorama cultural do país pela polêmica.
O que se sabe até agora é que José Pedro era filho de uma família portuguesa. Manoel José talvez fosse filho de um migrante homônimo, falecido em Sergipe em 1844, que aqui chegara no século XVIII, mas mantiveram ambos a nacionalidade portuguesa.  Outra hipótese, mais provável é Manoel ser  irmão de Antonia Maria Vianna (1821 – 1885) e ambos filhos legítimos de Pedro José Vianna e Maria Josefa Vianna, todos portugueses.  Esta família se dedicou tanto à agricultura quanto à pecuária, em Sergipe  tendo por isso mesmo influência política local vindo a participar da Guarda Nacional do Império. Eles eram proprietários de  muitos bens e de muitos escravos em virtude da atividade econômica por eles desenvolvida ser intensiva em trabalho e a escravidão ser uma instituição voltada para prover esta mão de obra hiper barata. A decadência da economia nordestina promovida pelos políticos escravagistas paulistas afetou a família reduzindo sua afluência  e criando em toda a família grande  ressentimento por esse infortúnio. Para compreender a psicologia de José Pedro Vianna, sua vocação militar marcada pela bravura e posteriormente sua combatividade como cidadão e profissional, é necessário entender a sua inserção no contexto histórico conturbado da região onde nasceu e viveu até os 21 anos de idade, quando se alistou como Voluntário da Pátria, para combater na Guerra do Paraguai.

Seção 5.2 Capítulo 5 Ascendentes de Joanna Raming
Documented Historic Outline of Jose Pedro Vianna  
 Parte 2  A GUERRA
Transcrição de original:
João Pinto Homem, Major  do exercito e Comandante do vi-gesimo terceiro Corpo de Volunta-rios da Patria.
Certifico que do assentamento do oficial abaixo mencionado consta o seguinte:                                        Agregado a Terceira Companhia,  o Tenente José Pedro Vianna. Sendo do extinto 49º Corpo de Voluntarios da Patria foi por occasião  de sua dissolução a vinte e três de Dezembro de1868 incluido neste por ordem do Quartel General. Da certidão de assentamento que o acompanha consta o seguinte: Sendo do 47º Corpo de Voluntarios da Patria, em virtude de S. Excia. O Sr General Comandante do 2º  do exercito de treze de Dezembro de 1867, fez passagem para este, passando a pertencer a 4ª Companhia, e assumindo seu comando no mesmo dia; deixou a dezesseis do dito mês,  assumindo o comando da 6ª a seis de fevereiro de 1868; a sete baixou hospital  tendo alta a dezoito do dito mês e assumiu o comando da 6ª  Companhia, deixando-o a vinte.  Assistio ao reconhecimento feito nas fortificações do estero Rojas (1) por occasião da passagem da esquadra por Humaytá (2) a dezenove de fevereiro; baixou ao hospital  a vinte do dito mês, tendo alta a dezesseis de Maio e assumiu o comando da 6ª Companhia a dezenove, deixando a trez de agosto. Expedicionario de Humaytá (3) para o 1º Corpo de Exercito a dezenove de Agosto; assistiu ao reconhecimento feito nas fortificações de Angostura no dia primeiro de outubro. Baixou  no hospital a seis do dito mês de outubro e teve alta a sete de dezembro. Tomou  parte na batalha de onze e combate de vinte um de dezembro de 1868 em Lomas Valentinas. Nada mais se continha  na referida certidão de assentamento. Tendo se apresentado a este corpo a vinte e trez de Dezembro, nelle tomou parte nos combates de vinte e cinco e vinte e sete do mesmo e na rendição de Angostura a trinta. Marchando para Assumpção  ahi chegou a cinco de Janeiro e marchou depois para Luque a nove de Março. Foi elogiado na parte deste comando depois dos combates, digo,  do combate de vinte e sete de Dezembro pela calma, bravura, e sangue frio com que nelle se portava. Tem parte no louvor de Sua Magestade o Imperador aos officiaes e praças que tiverão parte nas jornadas de Dezembro.  Com ordem  do Quartel General  foi desligado deste corpo a dez de Março com transferencia   para  22º Batalhão de Infantaria. O referido é tudo que consta dos assentamentos a que me reporto eu o Tenente Antonio Ernesto Gomes Carneiro, servindo  secretario que os escrevi. Acampamento na Villa do Rosario dezenove de Dezembro de 1869.
João Pinto Homem









A Fé de Ofício ORIGINAL de José Pedro Vianna
Restaurada digitalmente pela Stratimidia








Observações sobre os documentos e fotos  apresentados:
1)       Em uma área que ficava a cerca de dez quilômetros da confluência dos rios Paraguai e Paraná, as forças brasileiras acabaram montando o acampamento de Tuiuti numa pequena elevação ladeada por matas, lagoas, pântanos e zonas de escoamento natural de águas estancadas chamadas de “esteros”. Nessa posição, os aliados tinham Estero Bellaco ao sul, o Estero Rojas e a lagoa Tuiuti ao norte, uma mata fechada e a Lagoa Pires a oeste, e uma vasta região pantanosa a leste.
2)       A Passagem de Humaitá foi uma operação militar, que se constituiu na ultrapassagem da Fortaleza de Humaitá, pelo rio Paraguai, por uma pequena força de seis monitores da Marinha do Brasil, a 19 de Fevereiro de 1868, no contexto da Guerra da Tríplice Aliança. É também o nome de um quadro pintado por Victor Meirelles, ainda em 1868, exaltando esse episódio.
3)       Dezembro - Caxias vence os paraguaios em um série de batalhas conhecida como a "dezembrada" -Itororó, Avaí, Lomas Valentinas, Angostura. López consegue escapar do cerco em Lomas Valentinas e segue na direção da cordilheira a leste de Assunção. O Forte de Angostura localizava-se na margem direita do arroio Piquissiri, afluente do rio Paraguai, em território do Paraguai.No contexto da Guerra da Tríplice Aliança (1865-1870), integrava a linha defensiva paraguaia fortificada em Lomas Valentinas. Com a conquista desta (27 de Dezembro de 1868), o Forte de Angostura rendeu-se sem combate, sendo ocupado pelas forças brasileiras (30 de Dezembro de 1868), finalizando a série de batalhas vencidas pela Tríplice Aliança (Argentina, Brasil e Uruguai) que começou em 6 de Dezembro e teve seu fim em 30 de Dezembro de 1868 ( também conhecida como Dezembrada)
4)       Luque (em guarani: Lúke) é uma cidade do Paraguai, localizada no Departamento Central, a 15 km da capital, Assunção [2]. Foi a capital da República em 1868, durante a Guerra da Tríplice Aliança e manteve o seu estatuto até sua transferência para Assunção, no mesmo ano.
5)        -Napoleão Bonaparte, assim como Wellington e Nelson, estes dois últimos obviamente com muito mais sucesso, defendiam a necessidade do reconhecimento do teatro de operações, seja no mar ou na terra antes  das batalhas através de um estudo geografico, em que fossem estudados bons mapas de toda a região. Oficiais como José Pedro Vianna foram pioneiros em fazer perigosos levantamentos e ações de reconhecimento e mapeamento  em frentes de combate no Brasil para viabilizar através dos trabalhos de campo ações mais seguras nas campanhas e nas varias posições de ataque ou defesa.
Conforme Andre Corvisier, no livro A guerra, p. 116. A estratégia é a parte da guerra
relativa aos movimentos gerais que se executam fora da visão do inimigo, antes da
batalha. A tática consiste em executar da melhor forma possível a missão que lhe foi
confiada, isto é, exclusivamente com os meios a sua disposição. Dai a formula muito
utilizada no exercito frances: missao, meios, decisao.
Biblos, Rio Grande, 17: 121-130, 2005. 127

Podemos constatar que essa prática de reconhecimento passou a ser realizada durante a Campanha do Paraguay pelo Marquês de Caxias, no comando das Forcas Aliadas. Nesse mesmo sentido, na referida guerra, canhões, fuzis raiados, armas de carregar pela culatra, armas de repetição, revólveres, diferentes tipos de muniçÕes e torpedos foram algumas das novas tecnologias empregadas com êxito pelo Exército Brasileiro, devido a necessidade ocasionada pela duração desse conflito e a guerra regular que se instalara no Prata. Outro importante avanço tecnológico foi a utilização do balão tripulado, que permitia a observação das posições inimigas face ao estacionamento dos exércitos em frentes distantes, separados muitas vezes por trincheiras, e a prolongada permanência dos acampamentos em pontos estratégicos, quando chegavam a permanecer durante meses na mesma localidade. Todo esse aparato de desenvolvimento tecnológico obtido pelo Brasil com o desenrolar da guerra foi muito importante para a Força Militar.

Sketches de JPV
Um dos skills de José Pedro era a de desenho, que utilizou em sketches realizados por ocasião de missões de reconhecimento de teatro de operações. Seu espírito pioneiro permitiu o uso de balões nesta ocasião. Nos desenhos abaixo são apresentadas restaurações digitais realizadas nos laboratórios de multimídia do autor reconstituindo sketches originais em péssima condição de conservação que foram encontrados nos arquivos de família.

Restauração digital de sketch de José Pedro Vianna documentando um reconhecimento feito por ele em balão na Guerra do Paraguay em conjunto com observação terrestre. O ano de 1867 foi aquele em     que José Pedro  esteve muito dedicado aos balões de observação. Num caderno de campo, em estado precário de conservação, pode-se reconstituirque   ele menciona vários encontros com Jim Allen. Este americano era um aeronauta convidado pelo Marques de Caxias para introduzir esta tecnologia de observação na campanha do Paraguai. Aparentemente José Pedro atuou como ponto focal para assimilar e transferir esta tecnologia. Neste caderno de campo há fragmentos de observações interessantes  sobre  o uso de óleo de vitríolo reagindo com palha ou limalha de ferro (na proporção de 10 l para cada kg ??)  produzindo vitríolo verde e gás de hidrogênio. É mencionada uma vidraria capaz de ser arrolhada com cortiça (ou outro tipo de tampão) até o fim do processo, para depois ser aplicada à boca do balão para enchê-lo e soltá-lo. Há trechos em que são anotadas reclamações do americano sobre a matéria prima enviada. Outras observações são de caráter pessoal e revelam uma boa camaradagem entre ambos.



Dentre as diversas memorabilias de José Pedro estavam botões dourados da sua farda e as balastracas e Pedro II (moedas adaptadas para uso na ocupação do Paraguai cortando moedas do Peru e Bolívia encontradas no meio circulante deste país).




Em encontro com veteranos da Guerra Civil Americana relatou sua s peripécias na Guerra do Paraguai. Impressionados com as diversas vezes em que escapou com vida de situações de perigo que correu em virtude de sua bravura e desapego recebeu deles uma pequena medalha de Lucky Man que se encontra em um quadro de família.

Quadro de família: à esquerda - retrato de José Pedro Vianna, acima- distintivo Lucky man dado por veteranos da Guerra civil americana, à direita-  medalha da Guerra do Paraguay, abaixo-  brasão adotado pelso Vianna.



Diplomas de Condecorações de José Pedro Vianna

Medalha Geral da Campanha do Paraguay 
(diploma e medalha em poder do autor)






Uma das grandes convergências das famílias Vianna Meirelles, dos Ferreira da Silva e dos Quintella sempre foi  o fato de que todos tinham ancestrais que haviam sido condecorados com a Ordem da Rosa para estrangeiros. Tal é o caso do Comendador Antonio Ferreira da Silva (N  S João de Ver – Santa Maria da Feira - Aveiro 16/3/1841, F Rio de Janeiro 3/8/1894, sepultado no Carmo) banqueiro do poderoso Banco Rural e Hypothecario que deu grande suporte financeiro ao Governo Imperial na Guerra do Paraguai e iniciou o loteamento do bairro de Botafogo. Igualmente Francisco José Correa Quintella (N em Quintella S Julião da Silva, Concelho de Valença, Distrito de Vianna do Castelo 4/2/1838 Batizado em em 11/2/1838 Ig. S Julião e F 1921 Rio de Janeiro) a mereceu por suas diversas atividades comerciais. Ambos encarnaram o Brazilian Dream do século XIX vindo adolescentes para fazer o Brasil e aqui construíram suas famílias, suas fortunas e seus destinos.





Ordem da Rosa - Diploma de José Pedro Vianna

Organização inicial da Guarda Nacional

(texto copiado da Wikipedia  e adaptado parcialmente)

Os membros da Guarda Nacional eram recrutados entre os cidadãos eleitores e seus filhos, com renda anual superior a 200 mil réis nas grandes cidades, e 100 mil réis nas demais regiões, esses indivíduos não exerciam profissionalmente a atividade militar, mas, depois de qualificados como guardas nacionais, passavam a fazer parte do serviço ordinário ou da reserva da instituição. A Guarda Nacional tinha forte base municipal e altíssimo grau de politização. A família de José Pedro era da chamada Açucarocracia ou aristocracia sergipana de origem portuguesa que se dedicou tanto a indústria sucroalcooleira quanto à pecuária.
A sua organização se baseava nas elites políticas locais, pois eram elas que formavam ou dirigiam o Corpo de Guardas . Como uma instituição de caráter civil, e para militar, a Guarda Nacional era subordinada aos Juízes de Paz, aos Juízes Criminais, aos presidentes de Província e ao Ministro da Justiça, sendo somente essas autoridades que podiam requisitar seus serviços. Segundo RIBEIRO, José Iran, (in: Quando o Serviço nos Chama, Os Milicianos e os Guardas Nacionais Gaúchos (1825-1845), PUCRS, Porto Alegre, 2001.) o único cenário em que os guardas nacionais passariam a fazer parte da estrutura militar de 1a linha era no caso dos corpos destacados para a guerra, quando deveriam de atuar como auxiliares do Exército. Os guardas nacionais deveriam ser repartidos pelas Câmaras Municipais em unidades dentro dos distritos de cada município. A principio, as unidades seriam da arma de infantaria, ficando a cargo do governo decidir sobre a criação de unidades de cavalaria e artilharia.
Este foi precisamente o caso de Manuel José Vianna pai de José Pedro Vianna que se dedicou tanto à Guarda quanto à Câmara Municipal de São Cristóvão.  Na ocasião da declaração de Guerra ao Paraguay José Pedro foi alistado na Guarda e em Batalhão de Volnutários da Pátria.
  Cabia ao governo escolher os Coronéis e os Majores de Legião da Guarda Nacional. Os demais oficiais, inicialmente, eram escolhidos através de eleições em que votavam todos os guardas nacionais para exercerem um posto pelo prazo de quatro anos, porém tal fórmula foi modificada após a promulgação do Ato Adicional (1834), sendo substituída por nomeações provinciais, propostas das Câmaras Municipais e, mais tarde, por indicações dos comandantes dos corpos.
Foi exatamente a capacidade de liderança, bravura e criatividade de José Pedro que o fizeram  subir de alferes (aspirante) a tenete e a capitão da Guarda.

Histórico

Em 1842 a Revolta dos Liberais foi fortemente apoiada pelas Guardas Nacionais das vilas que aderiram ao movimento, tanto em São Paulo como em Minas Gerais. Nesta ocasião, como em várias outras, as Guardas tiveram oportunidade de entrar em confronto direto com o Exército como ocorreu, por exemplo, na célebre batalha de Santa Luzia em Minas Gerais entre o barão de Caxias e Teófilo Ottoni.
Em 1850 a Guarda Nacional foi reorganizada e manteve suas competências subordinadas ao ministro da Justiça e aos presidentes de província.
Em 1864 a Guarda Nacional consistia em 212 comandantes superiores e um grande quadro de oficiais. Contava com 595.454 praças, distribuídos na artilharia, cavalaria, infantaria e infantaria da reserva. Em contraposição o exército regular nesta época contava com 1.550 oficiais e 16.000 praças. A relevância da Guarda Nacional se evidencia quando da organização das unidades de cavalaria ligeira, pois a maioria dos corpos de cavalaria do Brasil era constituída por unidades da Guarda Nacional, e assim para os dois regimentos de cavalaria do Exército Imperial existiam 22 corpos da Guarda Nacional, segundo RODRIGUES, Jose Wasth.(in: Uniformes do Exército Brasileiro. Ed. Especial Ministério da Guerra, 1922). Durante a Guerra do Paraguai a Guarda Nacional teve participação importante, haja vista que do efetivo total de cerca de 123.000 soldados, 59.669 seriam provenientes da Guarda Nacional, segundo DORATIOTO, Francisco(in: Maldita guerra: nova história da Guerra do Paraguai. Companhia das Letras, 2002).
Foi em 1873 ocorreu nova reforma que diminuiu a importância da instituição em relação ao Exército Brasileiro.

Desmobilização

A Guarda Nacional foi perdendo espaço com o advento da República, cuja instalação se deu por conta do Exército, historicamente oposto à Guarda. Foi transferida em 1892 para o Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Em 1918 passou a Guarda Nacional a ser subordinada ao Ministério de Guerra, através da organização do Exército Nacional de 2ª Linha, que constituiu de certo modo sua absorção pelo Exército. Sua última aparição pública no dia 7 de setembro de 1922, quando do desfile pela independência do Brasil na cidade do Rio de Janeiro, marcando aquele, também, o ano de sua oficial desmobilização.
Apesar de sua desmobilização, o Presidente da República, Artur Bernardes, continuou a emitir Cartas-patentes de oficiais da Guarda Nacional, temos casos de cidadãos que prestaram compromisso de lealdade à corporação em 6 de agosto de 1924, cumprindo a determinação da Carta-patente de 2 de janeiro de 1924,assinada pelo Presidente da República e o Secretário da Guerra, com o seu registro ocorrendo na Secretaria de Estado da Guerra, em 4 de fevereiro de 1924. Diplomas estes, de elevado visual artístico, feitos mesmo para impressionar a quem a eles tivesse acesso, justificando a intenção de consolidar o poder do patenteado junto a sua comunidade.

 

 

 

 

Uma rica bibliografia citada abaixo pode completar as informações aos que lerem este trabalho

  • SOROMENHO, Cândido Elias de Castro. A Guarda nacional da Capital federal e a revolução de setembro. 1893 a 1894. Rio de Janeiro: Candido Elias de Castro Soromenho, 1894
  • CASTRO, Jeanne Berrance de. A Milícia Cidadã: A Guarda Nacional de 1831 a 1850. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1977
  • FARIA, Maria Auxiliadora. A guarda nacional em Minas Gerais 1831–1873. Curitiba: Universidade Federal do Paraná (UFPR), 1977
  • RODRIGUES, Antônio Edmílson Martins; FALCON, Francisco José Calazans e NEVES, Margarida de Souza. A Guarda Nacional no Rio de Janeiro 1831–1918. Estudo das características histórico-sociais das instituições policiais brasileiras, militares e paramilitares, de suas origens até 1930. Rio de Janeiro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), 1981
  • FARIA, Regina Helena Martins de. Em Nome da Ordem: a constituição de aparatos policiais no universo luso-brasileiro (séculos XVIII e XIX). Recife: Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), 2007

Algumas Publicações oficiais servem também para esclarecer as questões centrais da Guarda

  • MAGALHÃES, Benevenuto. "Guia pratico para o official da Guarda nacional": organizado por determinação do Dr. Amaro Cavalcanti, ministro da justiça e negócios interiores. pelo tenente-coronel Benevenuto Magalhães. ("Disposições principaes em vigor na Guarda nacional, consolidadas as da lei n. 602, de 1850 e seus regulamentos e as dos decretos n. 1121, de 1890 e n. 431, de 1896") Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1898.
  • JORDÃO, Benevenuto Pacheco. "Guia pratico para os officiaes da Guarda Nacional da União", contendo o novo plano de uniformes e desenhos aprovados por decreto n. 5892 de 12 de fevereiro de 1906 … São Paulo: Riedel & Franco, 1906

A Mortalidade nas hostes paraguaias foi enorme deixando inclusive um desequilíbrio demográfico no país após a derrota.

 

 

Um conto de José Pedro Vianna sobre a Guerra do Paraguai –
O repouso do guerreiro são mulheres e bebida

 Uma característica de líder bem conhecida na família de José Pedro Vianna foi a sua interação com o exército de
mulheres que acompanhava tanto os brasileiros como os paraguaios. Havia de tudo: Esposas, prostitutas,
companheiras, mães, vivandeiras e andarilhas que seguiam a tropa. Diferentemente das paraguaias que eram de dois
tipos as residentas (condenadas por serem parentes de réus políticos ou acusados de traição) e as destinadas
(acompanhantes dos homens que foram transformadas em soldadas, combateram, atenderam feridos e recolheram
mortos) as brasileiras eram apenas um bando único pau para toda obra na retaguarda. Essas brasileiras montavam
acampamentos, costuravam, capinavam, cavavam trincheiras, cortavam lenha, fabricavam pólvora, produziam
munição, abasteciam o acampamento com água e víveres e também prestavam aqui e ali serviços sexuais, mas não
tinham direitos nem apoio oficial tais como medicamentos, alimentação, abrigo. Contavam apenas com a boa vontade
de alguns poucos oficiais da Guarda Nacional que tinham mais sensibilidade que os militares do exército e lhes
davam alguma guarida dentro do possível. Já as muitas paraguaias engajavam sistematicamente na luta e por isso
foram mortas em combate pelo Exército Brasileiro. O exército argentino não deixava que mulheres os
acompanhassem e os oficiais ridicularizavam tanto brasileiros como paraguaios por isso. Todavia a tropa argentina
via com inveja este exército de saias constituído de argentinas, brasileiras, paraguaias, bolivianas, chinas, índias,
negras que acompanhava os demais batalhões de outras nacionalidades.
Contava José Pedro que muitas dessas mulheres ficaram conhecidas em toda a tropa. E assim as listava:
Florisbela era uma gaúcha da vida que se agregou como soldada no 29º Corpo de Voluntários. Em diversas batalhas
ela ficava só um pouco atrás dos soldados e às vezes os municiava ou passava a eles um fuzil quando sua arma
travava. Em seus sketches José Pedro retratou sua imagem como “ o anjo da vitória” vestindo um boné de campanha,
com seu rosto retorcido coberto da fuligem de pólvora, mãos crispadas segurando um fuzil onde tremulava a flâmula
do Império e deixando à mostra seios voluptuosos que inspiraram e confortaram muitos combatentes.
A pernambucana Maria Curupaiti seguiu o marido no 42º CVP ainda adolescente. No ataque ao forte Curuzu seguiu
clandestinamente, travestida com uniforme de algum soldado, contra a ordem do Conde de Porto Alegre, que havia
proibido mulheres nesta passagem. Na refrega ela toma armas de caídos e combate e segue junto com o marido até o
momento em que ele é morto. Quando caem os muros da fortaleza ela chega a enfrentar e usar baionetas. No
intervalo entre a vitória de Curuzu e o desastre de Curupaiti enterra o corpo o marido e de alguns outros soldados de
seu conhecimento. Por fim no avanço sobre o entrincheiramento de dois quilômetros de extensão, com um fosso de
dois metros de profundidade por quatro de largura defendido por parapeitos defensivos de dois metros de altura,
abrigando noventa canhões e cinco mil paraguaios ela é ferida, entre os quase quatro mil aliados caídos, e só no
hospital de campanha é descoberta sua identidade pelos médicos.
Aninha Gargalha e Maria Fuzil eram duas prostitutas muito populares na tropa e suas andanças pelos acampamentos
à noite eram comuns. Aproveitavam também para vender víveres, bebida, tabaco, ungüentos e chás de ervas para
todos os fins. Mas em situações de combate iam às linhas de frente, apoiavam a soldadesca no municiamento e muitas
vezes tiveram que rasgar as saias para garrotear um membro ferido para estancar hemorragias, enquanto
embebedavam com cachaça as vítimas, à guisa de anestesiar de forma natural para quando fossem ser tratados no
hospital não sentissem as dores dos recursos primitivos da medicina da época . Como eram exímias amazonas foram
vistas várias vezes cavalgando vestindo bombachas e transportando feridos para a retaguarda.
José Pedro era, como alguns outros membros da Guarda Nacional, os olhos e ouvidos de Osório que tinha alguma
condescendência com as mulheres e podia dar atendimento mais completo que aquele ao alcance dos capitães. Esta
confiança surgira pelo valor e destemor de José Pedro no teatro de operações, mas também por sua capacidade de
liderança e por interceder pelas mulheres facilitando os encontros dos praças com elas, visando aliviar as tensões précombate.
Várias vezes ele encaminhou pleitos dessas mulheres que às vezes estavam sofrendo além do normal na
situação de guerra. Mas ele se emocionava quase às lágrimas quando falava das crianças que acompanhavam estas
mulheres, bem como dos chamados filhos do regimento nascidos durante a guerra.
Nos meus batalhões vi acontecerem duas histórias memoráveis.
Clemencia era uma escrava parda, muito vistosa, que veio com um dos oficiais do exército no 49º que morreu num
dos primeiro embates da guerra. Quando o 49º foi extinto, e José Pedro foi transferido para o 47º Clemência rogou
sua interseção para acompanhar a sua companhia, já que seu patrão havia morrido e não tinha para onde ir. Lá ela se
comprometia a fazer o que estava habituada a fazer: vender tabaco, cachaça, serviços sexuais “ leves”, ( seja lá o que
isto signifique) lavanderia e costura. Era muito alegre e animava os acampamentos às noites em danças e cantorias.
Mas quando houve a débâcle de Curupaiti ela decidiu também engajar-se no combate. “Foi a minha sorte- disse ele -
, pois fui ferido e no calor da luta quem me apareceu e me arrastou para retaguarda foi Clemência, que inclusive foi
muito atenciosa em acompanhar meu restabelecimento no hospital”. “Depois ela decidiu se enrabichar lá com um
soldado de outro batalhão e nunca mais a vi”. “Soube que sobreviveu à guerra, tendo filhos e vivendo até cerca de 80
anos como alforriada lá pelo soldado, na volta para o Brasil, junto com muitos outros libertos.”

Sobrevivência no campo de batalha requer determinação e fortitude, mas sobretudo muita sorte, como José Pedro
a possuía em larga escala. Praça Sergipano, caboclo de nome Cristóvão foi para a Guerra levando sua mulher
Rozilda parda que passado um tempo ficou prenhe em campanha. Eles passaram por longo periodo de
desenetendimento que acabou provocando a separação. Com isto ela passou a residir com as mulheres do
batalhão e a se entregar a todos de tanta raiva que ficou do ex-marido. Passado um tempo, sendo descuidada,
apareceu prenhe sem haver certeza de quem teria sido o pai. Em um dos combates em que caía uma chuva
torrencial chegou a notícia de que Cristóvão estava ferido. Rozilda em desespero cavalgou até o campo de batalha
com duas colegas da vida que ficaram no acampamento. Lá conseguiu recolher o corpo do marido, mas quando
estava escapando com a ajuda das amigas foi também baleada e caiu do cavalo. Ali mesmo nasceu Zé Pequeno ou
José de Tuiuti, filho do regimento, de quem José Pedro concordou em ser padrinho. Até o fim da guerra este bebê
foi criado pelas mulheres do regimento e segundo se soube ficou com uma delas ao fim da guerra que foi viver no
Rio Grande do Sul.
Quanto à vida das paraguaias certamente o sofrimento foi muito mais cruento. Mas dizia ele que este foi o preço
justo que este povo pagou por seguir as idéias tresloucadas de um tirano sanguinário que levou seu país à ruína. Ele
esperava que esta lição fosse aprendida por outros povos. Mas refletia com prudência: - Se já não aprenderam com a
derrocada do genocídio napoleônico, de seu delírio destruidor e as conseqüências desastrosas para a França, será que
vão aprender alguma coisa com esta guerra aqui neste fim de mundo???

 

A vida amorosa antes do casamento de José Pedro Vianna

Algo que intrigava aqueles que se interessavam pela história de José Pedro Vianna era seu casamento
tardio para os padrões de seu tempo e sua bravura indômita quase suicida na Guerra e de ter-se radicado
na corte e não voltar para Sergipe. Há pelo menos quatro causas raiz para explicar esta situação.:
sentimental, saúde pública, política e econômica.
Em cartas, álbuns, cadernos de anotações e documentos de sua família, não muito bem conservados,
encontra-se uma menção discreta sobre uma paixonite de juventude com uma jovem filha de um coronel
do Exército que tinha uma fazenda em Estância – Sergipe. Não se sabe se são reais os nomes (Rosa Alva
e sua irmã gêmea Rosa Carmen), mencionados num fragmento de uma longa poesia de sua lavra que
versejava assim:
Rosa tu és minha esperança,
E não sais-me da lembrança
Nunca mais te esqueci.
Não sei (ilegível) ou a rosa

(não sei se és carmim ou alva rosa - segundo um historiador de Sergipe)
 

Só sei qu’era a mais prosa
Desta Terra onde nasci.
Após um contato feito por uma amiga comum, após uma missa festiva na Igreja de Nossa Senhora das
Vitórias, seguiram-se outros encontros facilitados por uma mucama dos Vianna, fiel confidente de José
Pedro por ser amiga de folguedos infantis, cujo nome era Possidônia. Quando descoberto este incipiente
namorico pelo pai da moça, houve uma forte oposição por parte do coronel em virtude de José Pedro ser
filho de um membro da Guarda Nacional.
No entanto os encontros prosseguiram furtivamente entre os apaixonados. Porém como se já não
bastassem as dificuldades pela oposição do coronel o ciúme de Rosa Alva provocou uma crise adicional
que precipitou os acontecimentos. Aconteceu um mal-entendido provocado pelas irmãs que, por serem
muito parecidas, divertiam-se em substituir-se uma à outra em certas ocasiões. Num certo bal-masqué em
Sam Christovam uma Rosa substistuiu a outra e isto não foi percebido por José Pedro Vianna.
Contrariada por este deslize do jovem não ter percebido a substituição as irmãs se desentendem e por este
motivo o coronel descobre que estava sendo desobedecido pela filha. Como punição ele as enclausura em
Estância, em alcovas sem janelas para evitar escapadas amorosas.
Neste momento se abate uma tragédia ligada a saúde pública. Desde 1837 ocorrem epidemias de varíola
no Estado, como se vê nos Relatórios do Presidente de Província:
A peste da bexiga, Senhores, que tem feito nesta Provincia estragos notáveis não tem
sido sido possível de todo extinguir-se, a pezar dos esfoços deste Governo, mandando
vir da Bahia o puz, e dividindo-o pelas camaras para a propagação da vacina (1837, p.4).
Seguidamente havia surtos desta doença e da cólera. Relata-se que

Em 1859 inúmeras vítimas na cidade de Estância, assustando assim a população: “só ali
fallecerão 75 victimas [...] do mesmo se deprehende que em toda a provincia forão 117 as
victimas da variola” (GALVÃO, Manuel da Cunha. Relatório do Presidente de Província
(1835 -1918), Sergipe. Typ. Provincial. 1860, p. 10).
Não se sabe ao certo as datas, nem mais detalhes, mas o certo é que uma das gêmeas morre e a
sobrevivente fica com o rosto, outrora deslumbrante, deformado, segundo os registros de família, pelo
alastrim. Há uma menção a uma visita de José Pedro a uma das gêmeas num Hospital em Laranjeiras
(Talvez o São João de Deus??), acompanhado de Possidônia. Esta cidade se aproximava em 1862 de seu
apogeu comercial merecendo o título de Empório Comercial de Sergipe por estar em contato direto com a
Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro e por isso ser procurada para hospitalizações de familiares do
Exército. Há, é claro na tradição oral de uma ala da família, maliciosa intriga de que nem mesmo as
tentativas da mulata clara Possidônia, sua velha amiga de infância e adolescência, de “afogar as mágoas
de José Pedro em seus braços, coxas e nádegas” surtiram efeito. Tais insinuações são evidentemente
negadas por outra ala. De qualquer forma ela vem a falecer na epidemia de 1863 ou1864 deixando em
José Pedro uma marca profunda pela perda de uma grande amiga com benefícios sexuais.
A animosidade de José Pedro contra os elementos do Exército, que já era grande, se transforma em fúria.
Agrava-se o ambiente para ele com uma grave crise econômica que se abate sobre Sergipe:
Calcula-se em 20:000 as victimas daquelle flagello: 2 a 3/5 deste numero forão braços
roubados subitamente a grande e pequena lavoura. A esta cauza veio juntar- se a corrente de
exportação de escravos estabelecida do norte para o sul, provocada, e alimentada pelo alto
preço á que chegarão, e emigração da população dos centros agrícolas da província para a
nova Capital attrahida pela alta do salario do trabalho. A consequencia desta subtração
inesperada de braços foi a diminuição, da producção o augmento simultaneo do consumo, cujas
sobras diminuídas destinadas á exportação, fizerão baixar o nivel da renda d’esta origem. Si o
resultado não se tornou logo sensivel, ao menos quanto aos direitos provenientes da exportação
do assucar foi isto devido a maneira porque se confeccionava a pauta dos despachos deste
governo. E tanto isto é verdade que d’esde o momento, em que a lei no 520 do 1o de Julho de
1858 mandou que taes direitos se cobrassem pela pauta formulada sobre o preço do assucar nos
mercados da Provincia, notou-se que os direitos d’este genero baixarão á quase um terço da
altura a que subirão (Galvão,1860, p.9).

  Assim pelos dados colhidos  a razão do alistamento de José Pedro Vianna nos Voluntários e sua bravura e desprendimento em combate quase suicida resultam destas desilusões amorosas e da decadência econômica de São Cristóvão. Já a sua permanência no Rio de Janeiro, após a Guerra do Paraguay se deveu à continuada decadência econômica de São Cristóvão, de sua saúde ter ficado abalada pelo fumo e ferimentos de guerra o que exigia acompanhamento médico indisponível em sua cidade natal e por fim pelas maiores oportunidades de ganho que a Corte apresentava para os veteranos da Guerra. 

O pai de José Pedro, -Manoel Jose Vianna - já estava há algum tempo, desde 1842, percebendo a decadência econômica
e como se vê em recortes da época no Diário de Sergipe e no Diário Novo, atua intensamente exportando mão de obra do elemento servil para o sul. Num deles constatam-se inclusive  fatos curiosos como escravos e até padres tinham escravos, e estes últimos até filhos  tinham com escravas. (Vide Padre AntonioThereso, pai de Antonio Oliveira donos do escravo crioulo Camilo que é exportado para o Rio Grande em 1844. ). Esta migração de mão de obra escrava se aprofunda nos anos 50 e mais ainda nos anos 60 e cria um fluxo que esvazia o Nordeste e povoa o sudeste com o elemento servil.. (Além de ter havido muitas mortes de escravos por epidemias que abalaram mais ainda a economia nordestina.) A tal ponto esse fluxo de mão de obra cresceu, que Manoel José Vianna, pai de José Pedro, chega a adquirir barcos  patachos para o comércio, que tenta diversificar, tendo em vista sua percepção de que a escravatura está condenada internacionalmente. Adicione-se a isto que com lucidez entende que a economia do Nordeste entrará em decadência em virtude do saque orquestrado pelos escravocratas paulistas., que iniciam o ciclo do Café. Todo este cenário melancóico só serviu para aprofundar a tristeza e a desesperança de José Pedro. 

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Lendas de São Cristóvão indicam que a mudança da capital para Aracaju teve resistência.

 

Armando Maynard para Minha Terra é SERGIPE

João Bebe-Água.
João Nepomuceno Borges, conhecido como João Bebe-Água, nasceu em São Cristóvão, em 1823, sendo seu pai o capitão Francisco Borges da Cruz. Alguns afirmam que João Nepomuceno Borges nasceu em Itaporanga d´Ajuda. É fato inconteste que ele provem de uma família pequena e que tinha, apenas um irmão chamado Silvério de Costa Borges.
Não sabemos onde e com quem estudou mas é sobejamente conhecido que ele sabiaer e escrever, e erceu cargos de representatividade em São Cristóvão, Laranjeiras e Santo Amaro das Brotas. Foi indicado para o cargo de Escrivão da Alfândega e Mesa de Rendas de Santo Amaro, em março de 1936, ano da Revolta que eclodiu naquela cidade. Com a Revolta, foi transferido para Laranjeiras, em janeiro de 1837, com o cargo de amanuense interino, sendo demito no mesmo ano. Segundo o historiador Sebrão Sobrinho, depois de ser demitido, João Nepomuceno recebeu um convite para ser Patrão-mor da Mesa de Rendas da Barra dos Coqueiros. Neste período residia em São Cristóvão, na rua que atualmente leva o seu nome. Segundo a mesma fonte, em meados de 1847, “ele já estava envolvido com a política local, tinha idéias conservadoras e uma vida ativa na sociedade de São Cristóvão”. Tinha em sua própria casa uma bodega onde comerciava gêneros alimentícios e bebidas, trata-se, portanto, de uma pessoa razoavelmente inteligente e capaz de exercer os cargos para os quais foi indicado.
Diz a lenda que ele arregimentou 400 homens em protesto contra a transferência da Capital para o povoado de Santo Antônio de Aracaju. Conta-se que publicou trabalhos no “Pasquim”, sob pseudônimo de “Nunes Machado” (líder da Revolução Praieira, ícone do partido liberal, assassinado à frente dos revoltosos do Recife, em 11 de dezembro de 1848).
Logo depois da transferência da capital, ele se rebelou, declarando bem alto e em bom som que jamais pisaria em Aracaju. Por isso guardou atrás da porta de sua casa os foguetes que soltaria quando São Cristóvão voltasse a ser Capital.
João Bebe-Água era membro da Irmandade de Amparo dos Homens Pardos, cumpria todas as obrigações religiosas e freqüentava a igreja com regularidade. Ocupou todas as funções da Irmandade, foi sineiro, zelador, sacristão, tesoureiro, avalista, procurador e presidente da confraria.
Dizem os cronistas que ele era de cor parda, baixa estatura, gordinho, cabelos “amealhados”. Seu traje era uma jaqueta, usava um lenço de rapé e uma catarina onde guardava fumo torrado. O fumo e o aguardente eram seus companheiros inseparáveis. A mudança da capital o desgostou a tal ponto que ele se entregou ao álcool.
Não sabemos exatamente como morreu João Bebe-Água. Afirma João Pires Wynne que faleceu em 1896. Para Pedro Machado, Bebe-Água morreu em data incerta, em sua casa, na ladeira de São Francisco, próxima ao Convento do mesmo nome.
Todos concordam que ele nunca botou os pés em Aracaju e morreu pobre e desacreditado, agarrado ao sonho de São Cristóvão voltar a ser Capital.
Manoel dos Passos de Oliveira Teles, autor da primeira biografia desta figura lendária, afirmou: “Cuspiu todos os seus desprezos sobre a cidade nova, protestou que seus pés não pisariam nunca as suas areias e de fato morreu sem ver Aracaju. João Bebe Água soube ser patriota de coração. Não foi um louco, não foi um mendigo, foi um resignado. Daí a minha admiração...”
Texto e imagem reproduzidos do blog: baianosilustres.blogspot.com.br

 



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